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Categoria: Notícias
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Unesco reconhece três lugares de memória da escravidão no Brasil
O Cais do Valongo, a Sociedade Protetora dos Desvalidos e a Serra da Barriga foram inscritos na Rede de Lugares de História e Memória Relacionados à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas Escravizadas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
“O governo brasileiro saúda a inclusão dos três lugares, que contribui para a preservação e a transmissão da memória da escravidão, o reconhecimento da resistência histórica da população negra e a educação das novas gerações”, apontou, em nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
A candidatura com o pedido de inclusão na Rede foi apresentada pelo MRE, que indicou o Cais do Valongo (foto em destaque), na região portuária do Rio de Janeiro, por ser um local de preservação de vestígios de um dos principais pontos nas Américas para desembarque de africanas e africanos escravizados. Desde 2017, o Cais do Valongo também está inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
A Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador, na Bahia, é uma referência histórica da organização e da solidariedade da população negra desde o século XIX. É a primeira instituição civil negra do Brasil em funcionamento contínuo. Foi fundada em 1832 por Manoel Victor Serra e outros homens negros livres, com o perfil de resistência, que, conforme a própria entidade, “ecoou nas Revoltas dos Búzios (1798) e dos Malês (1835), unindo organização, solidariedade e luta pela liberdade do nosso povo”.
A Serra da Barriga é onde está localizado o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em União dos Palmares, Alagoas. O local guarda a memória do Quilombo dos Palmares, mais um lugar de resistência à escravidão no Brasil. Desde 1988 é uma região que faz parte da União.
Quilombo dos Palmares na Serra da Barriga, em Alagoas – Arquivo/Agência AlagoasRede de Lugares de História e Memória Relacionados à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas Escravizadas
A intenção da Unesco ao criar a Rede foi promover a preservação dos lugares relacionados à história da escravidão e do tráfico de pessoas escravizadas. Com a participação das comunidades locais, tem ainda a função de intercâmbio de experiências e o desenvolvimento de iniciativas educativas.
“Criada em 2024, no âmbito do Programa Rotas dos Escravizados: Resistência, Liberdade e Patrimônio, da UNESCO, a Rede busca conectar lugares de diferentes países, promovendo o intercâmbio de experiências, a cooperação internacional e o desenvolvimento de iniciativas de educação, pesquisa e valorização da memória”, informou à Agência Brasil, a diretora e Representante da UNESCO no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto.
A apresentação das candidaturas nacionais é coordenada pelas Comissões Nacionais para a Unesco. No Brasil essa missão cabe ao Ministério das Relações Exteriores. Já integram a iniciativa o Museu da Inconfidência, em Minas Gerais; e os Museus Casa da Hera e da República, os dois no Rio de Janeiro.
Marlova Jovchelovitch Noleto disse que a inclusão dos três novos sítios brasileiros na Rede “representa um importante reconhecimento internacional de seu valor histórico e de sua contribuição para a preservação da memória da escravidão e da resistência da população negra”.
Para a diretora e Representante da Unesco no Brasil, mais do que reconhecer o passado, a iniciativa procura contribuir para que essa memória seja transmitida às novas gerações e ajude a compreender os efeitos duradouros da escravidão, inclusive o racismo estrutural e as desigualdades que persistem nas sociedades contemporâneas.
“Também cria oportunidades para que os responsáveis por esses espaços compartilhem boas práticas, desenvolvam ações conjuntas e ampliem a visibilidade de suas histórias em um contexto internacional”, apontou.
“É uma maneira de transformar lugares de memória em espaços vivos de conhecimento, diálogo intercultural e promoção dos direitos humanos”, completou.
Na visão do doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ivanir dos Santos, a inclusão desses três sítios em iniciativas de reconhecimento patrimonial vinculadas à Unesco representa mais do que a valorização de espaços históricos. “Constitui uma oportunidade de questionar as narrativas tradicionais sobre a formação da sociedade brasileira e reconhecer o protagonismo da população negra na construção da história nacional”.
O também babalaô e interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR) acrescentou que esses lugares expressam diferentes dimensões da experiência negra no Brasil, desde a violência do tráfico transatlântico de africanos escravizados, simbolizada pelo Cais do Valongo, até as estratégias de organização coletiva, solidariedade e resistência.
“A importância desses patrimônios também está diretamente relacionada à trajetória histórica do movimento negro brasileiro, cuja atuação tem sido fundamental para denunciar o racismo, reivindicar direitos, combater o apagamento da memória afro-brasileira e exigir o reconhecimento da contribuição da população negra para a sociedade”, indicou.
De acordo com Ivanir dos Santos, a Serra da Barriga, em particular, constitui um símbolo da resistência à escravidão e da luta por liberdade e autonomia, enquanto o Cais do Valongo evidencia a dimensão histórica da violência escravista e a necessidade de preservar a memória das vítimas do tráfico transatlântico.
“A Sociedade Protetora dos Desvalidos, por sua vez, demonstra como a população negra construiu formas de associação, apoio mútuo e mobilização coletiva diante das restrições impostas pelo racismo e pela desigualdade social”, completou.
Segundo o professor, esses espaços, não apenas preservam vestígios do passado, mas dialogam com as reivindicações contemporâneas do movimento negro por reparação histórica, igualdade racial e reconhecimento de direitos.
“Nesse sentido, o reconhecimento e a valorização desses patrimônios podem fortalecer as lutas do movimento negro ao conferir visibilidade internacional às experiências de violência, resistência e organização política da população negra”, observou.
Ivanir dos Santos ponderou, no entanto, que essa valorização não deve se restringir ao reconhecimento institucional ou simbólico. O professor defendeu que é fundamental que seja acompanhada de políticas efetivas de preservação, educação antirracista e participação das comunidades negras na gestão e interpretação desses lugares.
“Dessa forma, a proteção desses patrimônios contribui para democratizar a memória coletiva, confrontar o racismo estrutural e reafirmar o papel histórico do movimento negro na construção de uma sociedade mais justa, plural e comprometida com a reparação das desigualdades produzidas pela escravidão e por seus desdobramentos históricos”.
O professor destacou que o reconhecimento desses espaços ultrapassa a dimensão da preservação patrimonial, assumindo também um caráter político, social e educativo.
“Ao valorizar a memória do Quilombo dos Palmares, reafirma-se que a história do Brasil foi construída não apenas pela ação dos colonizadores e das elites econômicas, mas também pela resistência, pelo trabalho e pelas contribuições dos povos africanos e de seus descendentes”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil (Cristina Índio do Brasil – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.
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Indígenas de MS denunciam casos de violência e ameaças após eleição
Após o resultado das eleições presidenciais no domingo, indígenas da etnia Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul fizeram diversas denúncias de casos de violência que envolvem tentativas de assassinatos e até ameaça de envenenamento da água da comunidade.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco casos de assassinatos de indígenas na região desde sábado (24) estão sendo investigados.
O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, diz que os indígenas relataram diversos casos de intimidações durante a eleição. “Caminhonetes que rodavam pelo território e algumas agressões aos indígenas para tentar causar pânico na comunidade e evitar que eles fossem votar”.
Mas ele ressalta que a violência no estado é constante.
“Agora temos holofotes para a região. Mas o que aconteceu essa semana, as tentativas de assassinatos, elas ocorrem o tempo todo com a população indígena Guarani Kaiowá. Essa violência que está sendo chamada de violência pós eleitoral, ela é um componente permanente de milícias do campo”, disse.
A Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) encaminharam pedidos ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para investigar os casos. Um deles envolve um atropelamento de indígena de forma proposital na cidade de Coronel Sapucaia, no sudoeste do estado, na fronteira com o Paraguai.
Segundo dados da Apib, entre 2022 e 2026, seis indígenas da etnia Guarani Kaiowá foram assassinados no estado de Mato Grosso do Sul.
Envenenamento da água
Outra denúncia investigada pelo MPF é a de uma ameaça de envenenar a água usada pela comunidade em retaliação ao resultado da eleição presidencial.
Em um áudio que foi atribuído a um funcionário da prefeitura de Tacuru, no extremo sul do estado, o homem diz ao interlocutor que os indígenas deveriam ser mortos por terem votado no candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Na gravação ele fala: “ponha (sic) veneno na água, (vamos) matar essas praga na água”.
Segundo o coordenador do departamento jurídico da Apib, Ricardo Terena, a água na região é difícil e as comunidades indígenas dependem de caminhões pipa. E após a divulgação dos áudios, muitos passaram a não consumir mais essa água. O MPF de Mato Grosso do Sul deu um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru esclareça se os áudios são verdadeiros, quem é o autor das ameaças e quais medidas estão sendo tomadas.
Fonte: Agência Brasil (Iara Balduino – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.
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Brasil tem cinco regiões de recifes de corais costeiros sob ameaça
Cinco ecorregiões de recifes de corais brasileiras foram classificadas como criticamente em perigo pela Lista Vermelha de Ecossistemas, lançada na 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), em Yerevan, na Armênia.
O Brasil teve oito ecorregiões de recifes de corais analisadas, mas três não contavam com dados suficientes para receber uma classificação geral de risco.
As cinco áreas sob alerta são:
- Parrachos;
- Atol das Rocas e Fernando de Noronha;
- Costa dos Corais;
- Baía de Todos os Santos e Baixo Sul;
- Abrolhos.
A classificação Criticamente em Perigo significa que, apesar de abrigarem corais vivos e funcionarem como ecossistemas recifais, é necessário agir com urgência para protegê-las.
Essa foi a primeira avaliação global, para esses ecossistemas, promovida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
O documento lista as ecorregiões conforme o risco de colapso, considerando a distribuição dos corais, as restrições geográficas, a degradação e outros critérios ambientais. Os locais são classificados como: Vulneráveis (VU), Em Perigo (EN), Criticamente em Perigo (CR) ou Colapsados (CO).
Houve dados insuficientes para Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande. Para a analista de Conservação do WWF-Brasil, Ana Lídia Gaspar, a falta de informação não pode ser lida como ausência de risco.
“A avaliação aponta a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essas áreas para compreender melhor sua situação e orientar medidas de conservação”, reforça a pesquisadora.
As cinco regiões criticamente em perigo foram avaliadas sobre as mudanças ocorridas nos últimos 50 anos e as projeções de estresse térmico provocado pelo aquecimento dos oceanos nas próximas cinco décadas.
A avaliação concluiu que, nos últimos 50 anos, Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha já apresentavam condições para uma classificação CR. Já Baía de Todos os Santos e Baixo Sul e Abrolhos ficariam classificados como EN.
O nível de perigo crítico foi alcançado pelas cinco ecorregiões devido às projeções para os próximos 50 anos de estresse térmico, com base em um cenário intermediário apontado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Ameaças
As ondas marinhas de calor são apontadas como principais ameaças aos recifes brasileiros, tendo como referência importantes eventos de estresse térmico que resultaram em branqueamento severo e mortalidade de espécies-chave de corais, como os ocorridos em 2019/2020 e 2024.
“Pressões humanas locais, como a sobrepesca, o desenvolvimento costeiro, o turismo e o aporte de sedimentos e nutrientes provenientes do continente, contribuem para a degradação da qualidade da água, reduzindo a resiliência e a capacidade de recuperação dos recifes”, aponta a avaliação sobre as ecorregiões brasileiras.
O estudo destaca também pressões adicionais, como a exploração de petróleo e gás, mineração e navegação, além da invasão de espécies exóticas como os corais-sol e o peixe-leão.
“De modo geral, os recifes costeiros estão expostos a pressões cumulativas maiores do que os recifes situados mais longe da costa”, acrescenta o documento.
Metodologia
A avaliação global analisou apenas recifes de coral fóticos, que ocupam regiões mais rasas e ensolaradas. Não foram incluídos recifes profundos, rochosos e corais de água fria.
Em todo o mundo, foram analisados 127 ecorregiões em mais de 80 países e territórios, agrupados em dez macrorregiões. Desse total, 122 ecorregiões foram classificadas como Criticamente em Perigo, o equivalente a 96%.
Quando consideradas apenas as mudanças ocorridas nos últimos 50 anos, sem as projeções do IPCC, 30 ecorregiões já estão criticamente em perigo e outras 116 estão ameaçadas.
Ferramenta
A Lista Vermelha de Ecossistemas é uma das ferramentas para a revisão do tratado internacional da biodiversidade de Kunming-Montreal, estabelecido em dezembro de 2022, do qual o Brasil é signatário.
A avaliação serve como referência para relatórios e adoção de políticas nacionais capazes de proteger os recifes, recuperar as populações de espécies marinhas e reduzir as pressões locais.
A análise destaca, no entanto, que ações locais devem ser vistas como complementares à ação climática global.
“Medidas locais não são capazes de impedir as ondas de calor marinhas, portanto, cortes rápidos nas emissões continuam sendo essenciais”, destaca a análise.
Fonte: Agência Brasil (Fabíola Sinimbú – repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.
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Fachin arquiva mais cinco investigações do Inquérito das Fake News
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou o arquivamento de mais cinco investigações que integravam o chamado Inquérito das Fake News.
As investigações encerradas tinham como alvo o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta; o ex-ministro do Turismo Gilson Machado; o deputado estadual por Santa Catarina Alex Brasil; e Flávia Cordeiro Magalhães, brasileira que mora nos Estados Unidos.
Também foi encerrada uma investigação envolvendo publicações em um grupo no aplicativo de mensagens Telegram.
Em todos os casos, Fachin atendeu a manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR), que opinou pelos arquivamentos por falta de provas dos supostos delitos ou pela prescrição dos crimes investigados.
Aberto de ofício em 2019 pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o Inquérito das Fake News tinha como objeto principal apurar ataques virtuais e ameaças contra a integridade física de ministros da Corte e seus familiares. Desde então, contudo, o processo se desmembrou em centenas de linhas de investigação, grande parte sigilosa.
O inquérito é alvo de críticas da comunidade jurídica devido a sua duração indefinida e à falta de delimitação clara de seu objeto. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por exemplo, critica a pouca transparência em torno do processo.
Na esteira de uma crise institucional sem precedentes no Supremo, com ataques públicos entre ministros, Fachin determinou em setembro o envio do Inquérito das Fake News do gabinete do relator, ministro Alexandre de Moraes, para a presidência do STF.
Em outubro, Fachin declarou que pretende arquivar todo o Inquérito das Fake News, começando a analisar caso a caso cada linha de investigação. Na terça-feira (27), o presidente do Supremo já havia arquivado outras três apurações no inquérito.
Casos concretos
No que diz respeito ao ex-ministro do Turismo Gilson Machado, Fachin determinou o arquivamento de uma investigação sobre uma suposta tentativa de auxiliar o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de Ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, a fugir do país por meio da emissão de um passaporte português pelo consulado em Recife.
Mauro Cid foi delator da trama golpista pela qual Bolsonaro acabou condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão. Após a condução de diversas diligências, inclusive com a apreensão do celular de Gilson Machado, a PGR concluiu não haver elementos mínimos para uma ação penal contra o ex-ministro do Turismo.
Em relação ao presidente do PCO, Rui Pimenta, a PGR apontou para a prescrição do crime de incitação pelo qual ele era investigado. O dirigente partidário se tornou alvo de investigação após publicações hostis ao STF nas redes sociais.
No caso da brasileira Flávia Cordeiro Magalhães, residente nos EUA, Fachin revogou restrições migratórias e uma ordem de prisão preventiva que pesava contra ela, após a PGR apontar a fragilidade das provas e a ausência de vínculo da investigada com grupos organizados ou esquemas de financiamento de desinformação.
O deputado estadual Alex Brasil, por sua vez, era investigado pelo compartilhamento de conteúdo sobre o sigilo do voto nas eleições de 2022. A PGR apontou, contudo, que os mesmos fatos foram investigados e arquivados em um outro processo. Além de arquivar a segunda investigação, Fachin determinou o desbloqueio de perfis do parlamentar em redes sociais.
A investigação sobre um grupo no Telegram apurava a apologia a crimes contra judeus e ameaças contra a vida de ministros do STF. A PGR destacou, contudo, a impossibilidade técnica demonstrada pela área técnica do aplicativo de identificar os criadores ou administradores do canal, motivo pelo qual se esgotaram as possibilidades de elucidar o caso.
Fonte: Agência Brasil (Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.
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Na 17ª edição, Festival de Cinema Francês forma olhares no Brasil
Há 17 edições, o Festival de Cinema Francês aproxima culturas e amplia o acesso do público brasileiro a histórias que revelam diferentes maneiras de ver o mundo. A partir desta quinta-feira (29), a mostra exibe 21 filmes em mais de 50 cidades. A mostra vai até 11 de novembro.
Ao longo dessa trajetória, o festival já alcançou cerca de 2,5 milhões de espectadores e se consolidou como o principal evento nacional dedicado à cinematografia francesa.
>> Veja aqui a programação completa. <<
Neste ano, a programação ocupa aproximadamente 100 cinemas e reúne comédias, dramas, suspenses políticos, animações e documentários. Os valores dos ingressos variam de acordo com o local de exibição.
Na curadoria desde a primeira edição, a francesa Emmanuelle Boudier vive há 22 anos no Brasil. Para ela, apresentar filmes de diferentes países é uma forma de estimular o pensamento crítico, especialmente em um cenário no qual a diversidade de perspectivas se torna cada vez mais necessária.
Segundo ela, o festival procura oferecer alternativas a uma programação frequentemente dominada pelo cinema norte-americano.
“O cinema faz com que a gente abra a mente para coisas que não conhecemos.”
Entre os destaques desta edição está De Gaulle: A França Livre, de Antonin Baudry. A obra acompanha a decisão do general Charles de Gaulle de organizar a resistência francesa depois da derrota do país diante da Alemanha nazista, em 1940. Para Emmanuelle Boudier, a escolha tem relação direta com o momento atual.
“É uma mensagem de que nunca devemos desistir dos nossos ideais, da nossa liberdade, da democracia.”
A programação também inclui o thriller político Júpiter, de Alexandre Smia, exibido fora de competição no Festival de Veneza de 2026. A trama acompanha um presidente recém-eleito diante de uma crise internacional que ameaça desencadear uma guerra nuclear.
O filme será exibido no Brasil antes da estreia francesa, prevista para 18 de novembro.
A curadora explica que a seleção deste ano procurou equilibrar filmes mais densos com produções leves, capazes de oferecer momentos de diversão.
Festival traz comédias, dramas, suspenses políticos, animações e documentários – Divulgação festival.Humor
Um dos destaques é O Beijo Elétrico (La Vénus électrique), de Pierre Salvadori, comédia romântica ambientada em Paris, em 1928, que abriu o Festival de Cannes de 2026.
O filme acompanha Antoine Balestro, um pintor que perde a inspiração após a morte da esposa e tenta entrar em contato com ela por meio de uma vidente. O que ele não sabe é que a mulher participa de uma farsa para ajudá-lo a recuperar a criatividade.
Outra comédia é Bem-vindos à La Comédie-Française, de Martin Darondeau e Bertrand Usclat. A história acompanha Nina, uma diretora que está prestes a estrear na tradicional companhia teatral francesa, mas precisa lidar com atrasos, problemas técnicos e desentendimentos que ameaçam a apresentação.
O longa recebeu quatro prêmios no Festival Internacional de Cinema de Comédia de l’Alpe d’Huez e superou 900 mil espectadores na França.
Para Emmanuelle Boudier, a comédia francesa encontra boa receptividade entre os brasileiros.
Suspense
O suspense O Fantasma da Ópera (Le Fantôme de l’Opéra), de Alexandre Castagnetti, ambienta sua história nos recantos do Palais Garnier, em Paris. A trama acompanha uma jovem bailarina envolvida em uma história de amor, mistério e acontecimentos inexplicáveis.
A seleção também traz o curta-metragem Duas Pessoas Trocando Saliva (Deux personnes échangeant de la salive), de Natalie Musteata e Alexandre Singh, vencedor do Oscar de 2026 de melhor curta-metragem em live action.
Ambientada em uma sociedade repressiva, a história acompanha duas mulheres que se aproximam em um contexto no qual o beijo é proibido e punido com a morte.
Intercâmbio
Além de apresentar filmes ao público, o festival busca fortalecer a relação entre as indústrias audiovisuais brasileira e francesa. Uma das iniciativas é o laboratório de escrita de roteiros, que promove encontros entre roteiristas dos dois países.
De acordo com Emmanuelle Boudier, a organização recebeu mais de 150 projetos este ano e selecionou 15 produções. O laboratório estimula a troca de experiências e pode abrir caminho para futuras parcerias e coproduções.
Moradora do Rio de Janeiro há mais de duas décadas, ela diz que a experiência transformou sua própria identidade. Foi no Brasil que criou os três filhos e construiu uma relação afetiva com a cidade. “Às vezes me sinto muito carioca e também muito parisiense.”
Para ela, viver entre culturas diferentes é uma oportunidade de conhecer outras perspectivas e ampliar a própria visão de mundo, princípio que também orienta o festival.
Fonte: Agência Brasil (Anna Karina de Carvalho – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.
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Sob pressão de Trump, Cuba comemora aprovação na ONU contra bloqueio
Mesmo com o placar mais desfavorável a Cuba em 30 anos, o embaixador do país caribenho no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, comemorou a aprovação, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), da resolução contra o bloqueio econômico dos Estados Unidos (EUA) à ilha, que dura mais de seis décadas.
“Em um mundo onde os EUA lideram novas práticas do fascismo, por meio de chantagens e ameaças a países pequenos, imposição de guerras econômicas e tarifas, Cuba manteve o apoio da imensa maioria dos países da comunidade internacional. É uma grande vitória de nosso povo”, afirmou o embaixador sobre a votação na ONU.
A resolução foi aprovada, nessa terça-feira (29), com 130 votos favoráveis, incluindo do Brasil, 17 contrários e 25 abstenções. Em 30 anos, esse foi o menor apoio ao fim do bloqueio, que chegou a somar mais de 190 votos favoráveis.
A queda está relacionada a uma campanha do governo de Donald Trump para convencer países aliados a rejeitarem a resolução. Em 2024, apenas dois países votaram contra a proposta: Israel e EUA.
Neste ano, 17 países votaram contra a condenação do bloqueio a Cuba: Argentina, Bósnia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Hungria, Israel, Lituânia, Marrocos, Macedônia do Norte, Paraguai, Eslovênia, Trindade e Tobago, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos, República Tcheca e EUA.
Enquanto em 2024 houve apenas uma abstenção, dessa vez foram 25 países que não votaram, entre eles, nações da América Latina como Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru que, historicamente, costumavam votar a favor de Cuba.
Custo humano do bloqueio
Ao receber a Agência Brasil na embaixada em Brasília, nesta quinta-feira (29), Palomo lembrou que o bloqueio à Cuba é ilegal pelo direito internacional e destacou o custo humano da política de Washington.
“Foram mais de 1,5 mil crianças que morreram em Cuba por não ter acesso a medicamento e por falta de combustível para manter as incubadoras daqueles que nascem prematuramente ou com baixo peso. Não são apenas números, são vidas”, lamentou.
De 2025 a 2026, em meio ao endurecimento do bloqueio pelo governo Trump, a mortalidade infantil em Cuba dobrou, passando de 4,4 bebês mortos em cada mil nascimentos para 9,9.
O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, em entrevista à Agência Brasil – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência BrasilProblema mundial
O bloqueio econômico a Cuba, adotado em retaliação à Revolução Cubana de 1959, não é um problema apenas da ilha, mas de toda a humanidade, defende o embaixador Victor Manuel Cairo Palomo.
“É um tema que tem que ver com o mundo porque hoje é Cuba, mas amanhã pode ser qualquer outro país que os EUA desejarem”, justificou.
O diplomata lembrou da nova doutrina de Trump para a América Latina, que busca, entre outros objetivos, impedir as relações dos países da região com a China.
“Os EUA acreditam que eles têm que controlar os destinos da América Latina e do Caribe. Eles dizem que vão impor a paz pela força. É um modelo para o mundo onde eles se consideram os donos de tudo”, destacou Victor.
O embaixador fez questão de descrever como as medidas dos EUA têm prejudicado a população cubana, entre elas, as chamadas sanções secundárias, que punem empresas de outros países que comercializem com Cuba, aumentando o preço dos produtos que entram na ilha.
“As sanções secundárias têm um impacto tremendo. Temos mais de 7 mil contêineres comprados por Cuba parados em portos de todo o mundo porque as transportadoras não querem entregar. Chegam à Jamaica e deixam lá porque os donos dos navios têm medo de represálias dos EUA”, explicou.
Endurecimento do bloqueio
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, os EUA têm adotado uma série de novas sanções contra o pequeno país caribenho. Entre as ações, está o bloqueio energético com ameaças a países que vendam petróleo a Cuba.
A medida chegou a deixar a ilha três meses sem receber nenhum barril de petróleo. Em consequência, os apagões de energia podem chegar a mais de dez horas na capital, Havana.
“Se não tem combustível, você não tem capacidade para produzir ou conservar alimentos ou manter os serviços básicos públicos, transporte público, não tem capacidade para indústria”, criticou o embaixador.
As medidas de asfixia econômica vêm escalando mês a mês, levando à redução dos voos interacionais à Cuba, saída de empresas hoteleiras estrangeiras e mesmo da empresa de cartões Visa, o que tem afetado o setor do turismo, o principal do país.
Nas últimas semanas, o Departamento de Estado dos EUA, liderada pelo descendente de cubanos Marco Rubio, adotou nova sanção contra empresas de “tecnologias sensíveis” que tenham relação com a ilha caribenha. A Justiça dos EUA chegou ainda a decretar, neste mês, a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.
Reforma econômica
Em resposta, Cuba adotou uma reforma econômica para tentar contornar o bloqueio e dinamizar a economia. O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo afirmou que ainda é cedo para avaliar o impacto das mudanças, mas apontou que estudos internos indicam condições mais favoráveis para aumentar a produção.
“Estamos mudando a matriz energética para energia solar de maneira acelerada com ajuda a China e estamos trabalhando muito forte na produção de alimentos porque nosso país não pode esperar que o presidente dos EUA queira mudar seu genocídio contra a Cuba”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil (Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.
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Consumo nos lares acumula alta de 2,70% até setembro, diz Abras
O Consumo nos Lares Brasileiros registrou alta de 2,70% no acumulado de janeiro a setembro, segundo balanço da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que considera o percentual praticamente estável em relação aos 2,71% acumulados até agosto.
Em setembro houve alta de 0,59% em relação ao mesmo mês de 2025.
Na comparação mensal, houve queda de 1,46%, depois de dois meses de crescimento, sendo 3,01% em julho e 2,21% em agosto. O levantamento indica que também foram registradas quedas em setembro de 2024 (-1,30%) e de 2025 (-0,94%).
Os dados foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo IBGE e contemplam o desempenho de todos os formatos de supermercados, desde os pequenos, de bairro, até os grandes.
Trajetória
Segundo o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o consumo mantém trajetória positiva ao longo do ano, mesmo em cenário em que as famílias precisam conciliar o abastecimento dos lares com outros compromissos do orçamento. “O resultado acumulado até setembro mostra a continuidade desse movimento”, analisa.
Milan destacou que os indicadores do mercado de trabalho seguem favoráveis, fatores positivos para o consumo, com taxa de desocupação em 5,3% no trimestre encerrado em agosto e população ocupada em 103,5 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica.
“O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.777, com crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. Já a massa de rendimento real habitual atingiu R$ 385,6 bilhões, também recorde da série, com avanço de 4,8% na comparação anual, o equivalente a R$ 17,5 bilhões a mais”, disse.
Milan citou o Bolsa Família, que destinou R$ 13,04 bilhões a cerca de 19,3 milhões de famílias em setembro, e o Conselho da Justiça Federal, que liberou R$ 3,22 bilhões aos Tribunais Regionais Federais para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs), envolvendo mais de 278 mil beneficiários, além do pagamento de 521,9 mil restituições do Imposto de Renda.
Reeleição
Milan afirmou que uma das conquistas mais relevantes do governo atual foi a isenção de impostos para os produtos da cesta básica, com uma gama maior de itens, incluindo as proteínas (carne, frango, peixe), o que deve ajudar a manter o consumo.
“Por outro lado, existe uma preocupação com relação às novas taxas de impostos que serão divulgadas no início da nova gestão, para que isso não onere o restante dos produtos que compõem a cesta de alimento e de consumo. Também estamos preocupados com o endividamento das famílias e as medidas do governo com relação a isso.”
O vice-presidente da Abras ressaltou a necessidade da manutenção da proibição das bets, que colaboraram para aumento do consumo. Segundo dados divulgados esta semana pela entidade, as vendas de alimentos tiveram alta nas semanas posteriores à medida: de 6,5% de 05 a 11/10/2026, e de 6,3% de 12 a 18/10/2026, ambas comparadas com o mesmo período do ano passado.
Milan citou também a aprovação do fim da escala 6X1 e na redução da jornada de trabalho dos funcionários. “O supermercado teve um papel relevante na época da pandemia por ser uma atividade essencial. Essas medidas trouxeram uma preocupação porque foi uma legislação para todos os elos da cadeia. Nosso receio é o de que isso não desorganize o sistema de abastecimento como um todo.”
Fonte: Agência Brasil (Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.
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Condenado por lesão corporal contra mulher fica inelegível, decide TSE
O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta quinta-feira (29), que a condenação colegiada por lesão corporal contra a mulher é razão para inelegibilidade. Por unanimidade, os ministros confirmaram a rejeição do registro de candidatura ao advogado João Francisco de Assis Neto, que queria se candidatar a deputado federal por Alagoas.
O registro de candidatura já havia sido negado, por maioria, pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) em setembro, após representação do senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Os ministros entenderam que o crime pelo qual o advogado foi condenado – lesão corporal praticada contra mulher por razão da condição de sexo feminino – se enquadra no mesmo eixo legal do feminicídio, podendo ser equiparado a um crime contra a vida.
Pela Lei da Ficha Limpa, fica inelegível por oito anos, a contar da sentença, quem for condenado por órgão colegiado por crime contra a vida e a dignidade sexual. Pelo entendimento unânime do TSE, a hipótese abarca as condenações por lesão corporal praticada contra a mulher em razão do gênero.
Segundo as informações do processo, João Neto foi condenado em duas instâncias pela Justiça de Alagoas em 2025. Ele foi considerado culpado de ter empurrado sua esposa em casa, quando ela estava descalça sobre piso escorregadio, fazendo-a cair e bater o queixo no chão. A queda gerou uma ferida aberta e necessidade de intervenção cirúrgica.
O caso ainda não transitou em julgado, mas os ministros do TSE ressaltaram que a Lei da Ficha Limpa prevê apenas a condenação por órgão colegiado, no caso a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas, não sendo necessário o trânsito em julgado da condenação. Os recursos do advogado tramitam sem efeito suspensivo sobre a condenação.
O relator do caso no TSE, ministro Dias Toffoli, afirmou em seu voto que a Justiça Eleitoral não está inovando, mas apenas considerando o aspecto material da proteção dada pela lei à integridade física da mulher. “Não se trata de criar nova causa de inelegibilidade”, avaliou.
Ao final da votação, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, destacou o caráter inédito do julgamento e disse se tratar de “um momento histórico para o TSE”. Ele também sublinhou que a Justiça Eleitoral estaria apenas confirmando com a jurisprudência o que já está expresso na lei.
Além do próprio presidente, votaram com o relator os ministros Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha, Ricardo de Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior e André Mendonça.
Fonte: Agência Brasil (Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.
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Fuga e carta golpista ampliam isolamento de Flávio Bolsonaro
Aliados e ex-aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) têm se manifestado em favor do resultado das eleições e contrários à postura do parlamentar e ex-candidato à presidência da República, que se recusou a reconhecer que foi derrotado, no segundo turno, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os posicionamentos se tornaram mais enfáticos após a fuga para os Estados Unidos e a divulgação da carta golpista, na qual Flávio chegou a se autoproclamar presidente eleito, líder do Brasil e da oposição.
Partidos da base
O União Brasil, partido da base de apoio da campanha de Bolsonaro, divulgou nota oficial assinada pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, em que ressalta a legitimidade do resultado eleitoral e defende o respeito à decisão dos eleitores.
“O União Brasil reafirma que a democracia é, para o partido, um valor inegociável. Ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas”, afirma o documento.
A legenda também declara que “a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura, e o seu resultado deve ser respeitado”.
O MDB também se manifestou sobre a legitimidade do processo eleitoral. Em publicação nas redes sociais, o partido reafirmou sua confiança no sistema eleitoral brasileiro e no resultado do pleito realizado no domingo. Parte das lideranças do MDB apoiou Flávio Bolsonaro na campanha.
“O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo”, declarou a legenda.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), também admitiu que não há provas de fraude eleitoral no segundo turno das eleições.
Nomes da direita
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi outro aliado de Flávio a se posicionar em favor do resultado das urnas. Em nota divulgada nesta quarta-feira, ele afirmou compreender a indignação do senador, mas destacou que o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”.
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, disse Tarcísio.
Até mesmo o bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja de Brasília frequentada pelo senador, divulgou nesta quarta-feira (28) uma mensagem em defesa do resultado das urnas, que levou à eleição do presidente Lula.
“As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue!”, disse o pastor nas redes sociais. “Vamos viver a vida. Pare de profetizar o caos. Deus dará a cada um segundo suas obras. E Ele terá misericórdia do Brasil”.
O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) também criticou a decisão do senador de conduzir a oposição a partir do exterior e afirmou que a iniciativa não traz benefícios ao Brasil.
Para ele, Flávio tenta reproduzir o modelo de Juan Guaidó, que se apresentou como presidente interino da Venezuela, mas em um contexto diferente, no qual o Partido Liberal (PL) continua funcionando normalmente no país.
“Ele optou por não lutar aqui, e a verdade precisa ser dita: quando você acredita em algo, você luta na tua terra. Ele não quis lutar, a nossa terra não era boa o suficiente, ele vai lutar direto da Flórida”, afirmou Renan.
Renan disse não acreditar que a iniciativa represente risco institucional, mas classificou a atuação política no exterior como uma “oposição EAD”.
“Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender no fundo ao interesse americano aqui. Eu estou aqui, vou lutar daqui e vou pagar as consequências das minhas ações”, declarou.
*Colaborou Luciano Nascimento.
Fonte: Agência Brasil (Agência Brasil*). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.